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sábado, 4 de julho de 2020

Mia Couto (citações IV)

A urina de um homem sempre cai perto dele

Quem voa depois da morte? É a folha da árvore.

Há perguntas que não podem ser dirigidas às pessoas, mas à vida.
Pergunte à vida, senhor.
Mas não a este lado da vida.
Porque a vida não acaba do lado dos vivos.
Vai para além, para o lado dos falecidos.

Uns não vivem por temer morrer; eu não morro por temer viver.

Viver é fácil: até os mortos conseguem.
Mas a vida é um peso que precisa ser carregado por todos os viventes.

A vida é um beijo doce em boca amarga.

Cada coisa tem direito a ser uma palavra.
Cada palavra tem o dever de não ser nenhuma coisa.

A lágrima nos universa, nela regressamos ao primeiro início.
Aquela gotinha é, em nós, o umbigo do mundo.
A lágrima plagia o oceano.

A guerra nunca partiu, filho.
As guerras são como as estações do ano:
ficam suspensas, a amadurecer no ódio da gente miúda.

Se temos voz é para vazar sentimento.
Contudo, sentimento demasiado nos rouba a voz.

Mia Couto (citações) 

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