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segunda-feira, 6 de julho de 2020

Viverás, que da pena a força emana

Ou pra fazer-te o epitáfio vivo,
ou vives mais e a terra me apodrece.
Tua memória a morte deste arquivo
não tira, mas de mim o resto esquece.
Aqui terá o teu nome imortal gala,
indo eu, hei-de ficar do mundo oculto,
só pode dar-me a terra comum vala,
no olhar dos homens tu serás sepulto.
Meus versos monumento te serão
que hão-de ler e reler olhos a vir
e as línguas a haver repetirão
o que és, quando já ninguém respire.
    Viverás, que da pena a força emana,
    onde o sopro mais sopra, em boca humana.

William Shakespeare, in "Sonetos (81)"


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