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domingo, 2 de dezembro de 2018

Pensamentos de Clarice Lispector ( VII )

Clarice Lispector
A poesia dos poetas que sofreram é doce e terna.
E a dos outros, dos que de nada foram privados, é ardente, sofredora e rebelde.

Nunca sei se quero descansar porque estou realmente cansada, ou se quero descansar para desistir.

Vivo no quase, no nunca e no sempre.
Quase, quase - e por um triz escapo.

Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. 
Parece uma vida amoral. 
Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma.

O que obviamente não presta sempre me interessou muito.
Gosto de um modo carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno voo e cai sem graça no chão.

Amanheci em cólera. 
Não, não, o mundo não me agrada. 
A maioria das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo. 
E o amor, em vez de dar, exige. 
E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam. 
Mentir dá remorso. 
E não mentir é um dom que o mundo não merece...

Sou o que quero ser, porque possuo apenas uma vida e nela só tenho uma chance de fazer o que quero.
Tenho felicidade o bastante para fazê-la doce dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana e esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas,
elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.

Tudo no mundo começou com um sim. 
Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. 
Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. 
Sempre houve. 
Não sei o quê, mas sei que o universo jamais começou.

Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador.
Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada.

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