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domingo, 21 de julho de 2019

Cegueira Bendita

Ando perdida nestes sonhos verdes
De ter nascido e não saber quem sou,
Ando ceguinha a tatear paredes
E nem ao menos sei quem me cegou! 


Não vejo nada, tudo é morto e vago...
E a minha alma cega, ao abandono
Faz-me lembrar o nenúfar dum lago
´Stendendo as asas brancas cor do sonho... 


Ter dentro d´alma na luz de todo o mundo
E não ver nada nesse mar sem fundo,
Poetas meus irmãos, que triste sorte!... 


E chamam-nos a nós Iluminados!
Pobres cegos sem culpas, sem pecados,
A sofrer pelos outros té à morte! 


Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"

2 comentários:

Elizabeth Vitória Souza da Luz disse...

Muito profundo, de verdade. Amei.

Elizabeth Vitória Souza da Luz disse...

Muito profundo. Amei, de verdade!