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domingo, 11 de agosto de 2019

Teus olhos entristecem

Teus olhos entristecem
Nem ouves o que digo.
Dormem, sonham esquecem...
Não me ouves, e prossigo.
Digo o que já, de triste,
Te disse tanta vez...
Creio que nunca o ouviste
De tão tua que és.

 

Olhas-me de repente
De um distante impreciso
Com um olhar ausente.
Começas um sorriso.

 

Continuo a falar.
Continuas ouvindo
O que estás a pensar,
Já quase não sorrindo.

 

Até que neste ocioso
Sumir da tarde fútil,
Se esfolha silencioso
O teu sorriso inútil.


Fernando Pessoa

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