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quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Da minha janela

Mar alto! Ondas quebradas e vencidas
Num soluçar aflito, murmurado...
Vôo de gaivotas, leve, imaculado,
Como neves nos píncaros nascidas! 


Sol! Ave a tombar, asas já feridas,
Batendo ainda num arfar pausado...
Ó meu doce poente torturado
Rezo-te em mim, chorando, mãos erguidas! 


Meu verso de Samain cheio de graça,
Inda não és clarão já és luar
Como um branco lilás que se desfaça! 


Amor! Teu coração trago-o no peito...
Pulsa dentro de mim como este mar
Num beijo eterno, assim, nunca desfeito!... 


Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade"

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