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domingo, 17 de novembro de 2019

Tateio

Tateio. 
A fronte. 
O braço. 
O ombro.
O fundo sortilégio da omoplata.
Matéria-menina a tua fronte e eu
Madurez, ausência nos teus claros
Guardados. 


Ai, ai de mim. 
Enquanto caminhas
Em lúcida altivez, eu já sou o passado.
Esta fronte que é minha, prodigiosa
De núpcias e caminho
É tão diversa da tua fronte descuidada. 


Tateio. 
E a um só tempo vivo
E vou morrendo. 

Entre terra e água
Meu existir anfíbio. 

Passeia
Sobre mim, amor, e colhe o que me resta:
Noturno girassol. 

Rama secreta. 

Hilda Hilst, in 'Preludios-Intensos para os Desmemoriados do Amor'

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