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quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Versos Escritos na Água

Os poucos versos que aí vão,
Em lugar de outros é que os ponho.
Tu que me lês, deixo ao teu sonho
Imaginar como serão. 


Neles porás tua tristeza
Ou bem teu júbilo, e, talvez,
Lhes acharás, tu que me lês,
Alguma sombra de beleza… 


Quem os ouviu não os amou.
Meus pobres versos comovidos!
Por isso fiquem esquecidos
Onde o mau vento os atirou. 


Manuel Bandeira, in 
'Bandeira de bolso: uma Antologia Poética'

Brasil
19 Abr 1886 // 13 Out 1968
Poeta / Professor / Tradutor

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