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terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Ruinas

Pandeiros rôtos e côxas táças de crystal aos pés da muralha.
Heras como Romeus, Julietas as ameias.
E o vento toca, em bandolins distantes,
surdinas finas de princezas mortas.
Poeiras adormecidas, netas fidalgas de minuetes de mãos
esguias e de cabelleiras embranquecidas.
Aquellas ameias cingiram uma noite peccados sem fim;
e ainda guardam os segredos dos mudos beijos de muitas noites.
E a lua velhinha todas as noites réza a chorar:
Era uma vez em tempo antigo um castello de nobres
naquelle lugar... E a lua, a contar, pára um instante
- tem mêdo do frio dos subterraneos.
Ouvem-se na sala que já nem existe,
compassos de danças e rizinhos de sêdas.
Aquellas ruinas são o tumulo sagrado
de um beijo adormecido - cartas lacradas com ligas azues
de fechos de oiro e armas reais e lizes.
Pobres velhinhas da côr do luar,
sem terço nem nada, e sempre a rezar...
Noites de insonia com as galés no mar e a alma nas galés.
Archeiros amordaçados na noite em que o côche
era de volta ao palacio pela tapada d'El-rei.
Grande caçada na floresta--galgos brancos e Amazonas negras.
Cavalleiros vermêlhos e trombêtas de oiro no
cimo dos outeiros em busca de dois que faltam.
Uma gondola, ao largo, e um pagem nas areias de lanterna
erguida dizendo pela briza o aviso da noite.
O sapato d'Ella desatou-se nas areias, e fôram
calça-lo nas furnas onde ninguem vê.
Nas areias ficaram as pègadas de um par que se beija.
Noticias da guerra - choros lá dentro, e crépes no brazão.
Ardem cirios, serpentinas.
Ha mãos postas entre as flôres.
E a torre morêna canta, molenga, dôze vezes a mesma dôr.

Almada Negreiros, in 'Frisos - Revista Orpheu nº1'

1 comentário:

পয়ন্তপ disse...

Ruinas কবিতাটি চমৎকার পাহাড়-পর্বত নদ-নদী ভালোবাসা সবকিছু তুলে ধরা হয়েছে আমার খুব ভালো লেগেছে. Rani from Bangladesh