Também eu acredito que a existência precede a essência.
Que tudo começa
quando o coração pulsa pela primeira vez,
e tudo acaba quando ele
desiste de lutar.
Que todas as paisagens são cenários do nosso drama
pessoal,
comentários decorativos da nossa aventura íntima e profunda.
E
que, por isso, cada homem só se pode salvar ou perder
sozinho, e que só
ele é o responsável pelos seus passos,
que só as suas próprias raízes
são raízes, e que está nas suas mãos
a grandeza ou a pequenez do seu
destino.
Companheiro doutros homens, será belo tudo quanto de acordo
com
o semelhante fizer, todas as suas fraternidades necessárias
e
louváveis.
Mas que será do tamanho e da qualidade da sua realização
singular,
da força da sua unidade, da posição que escolheu e da obra que
realizou,
que a consciência lhe perguntará dia a dia, minuto a minuto.
Miguel Torga, in "Diário (1949)"

Sem comentários:
Enviar um comentário