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sábado, 27 de julho de 2019

A MINHA ALTURA

Era a minha altura. 
Um livro em cima da cabeça marcava
o lugar que um lápis semestralmente
riscava na parede da cozinha.


A única sabedoria dos ossos, crescerem
como a teia sólida de um propósito
e a anatomia mais transparente.


Centímetro a centímetro
espigava o corpo imaginário, essa contabilidade
que era assim, íntima, pictórica,
como uma cena burguesa.


Traço a traço a parede da cozinha
tornou-se rupestre,
a infância uma ternura assustadora.
Esta era a minha altura.


Agora sou tão mais alto e mais pequeno.


Pedro Mexia

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