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domingo, 28 de julho de 2019

Soneto de Mal Amar

Invento-te recordo-te distorço
a tua imagem mal e bem amada
sou apenas a forja em que me forço
a fazer das palavras tudo ou nada. 


A palavra desejo incendiada
lambendo a trave mestra do teu corpo
a palavra ciúme atormentada
a provar-me que ainda não estou morto. 


E as coisas que eu não disse? Que não digo:
Meu terraço de ausência    meu castigo
meu pântano de rosas afogadas. 


Por ti me reconheço e contradigo
chão das palavras mágoa joio e trigo
apenas por ternura levedadas. 


Ary dos Santos, in 'O Sangue das Palavras'

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