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segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Aceno e Graça, poemas de M. Torga

ACENO
Longe,
Seu coração bate por mim;
E a sua mão desenha aquele afago
Que me sossega inteiro... 


Longe,
A verdade serena do seu rosto
É que faz este dia verdadeiro... 


Miguel Torga, in 'Diário (1939)'

GRAÇA
Eram dois, numa cama, lado a lado;
Eram dois, separados e diversos;
Mas unia-os o fado
De poderem ter filhos e ter versos.


Eram dois a dormir,
Sem sonharem, sequer,
Que a mesma seiva astral pode cair
Num ventre de Poeta ou de Mulher. 


Miguel Torga, in 'Diário (1942)'

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