Já é tempo, já, que minha confiança
Se desça duma falsa opinião;
Mas Amor não se rege por razão,
Não posso perder, logo, a esperança.
A vida sim, que uma áspera mudança
Não deixa viver tanto um coração.
E eu só na morte tenho a salvação?
Sim, mas quem a deseja não a alcança.
Forçado é logo que eu espere e viva.
Ah dura lei de Amor, que não consente
Quietação num'alma que é cativa!
Se hei-de viver, enfim, forçadamente,
Para que quero a glória fugitiva
Duma esperança vã que me atormente?
Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"

3 comentários:
Maravilhoso, um aconchego pra leveza da alma, cativa, em tempos distantes de poesia!!!
Eu amo poesia. O Blog é mais uma fonte a se beber. Gostei!
O aconchego da poesia nos remete a um realismo prodigo do entendimento. Parabéns,comecei a ler poesias há pouco tempo.
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