loading...

domingo, 10 de novembro de 2019

Para que quero a Glória Fugitiva?

Já é tempo, já, que minha confiança
Se desça duma falsa opinião;
Mas Amor não se rege por razão,
Não posso perder, logo, a esperança. 


A vida sim, que uma áspera mudança
Não deixa viver tanto um coração.
E eu só na morte tenho a salvação?
Sim, mas quem a deseja não a alcança. 


Forçado é logo que eu espere e viva.
Ah dura lei de Amor, que não consente
Quietação num'alma que é cativa! 


Se hei-de viver, enfim, forçadamente,
Para que quero a glória fugitiva
Duma esperança vã que me atormente? 


Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"

3 comentários:

Unknown disse...

Maravilhoso, um aconchego pra leveza da alma, cativa, em tempos distantes de poesia!!!

REFLEXOS DA MENTE disse...

Eu amo poesia. O Blog é mais uma fonte a se beber. Gostei!

Unknown disse...

O aconchego da poesia nos remete a um realismo prodigo do entendimento. Parabéns,comecei a ler poesias há pouco tempo.